Esta série de postagens quero-a dedicar ao amigo Carlos Collazo, grande conhecedor da geografia arqueológica de Rianjo e que me acompanhou na visita a alguma destas marcas.
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O meu amigo e ilustre rianjeiro Joam Evans Pim acaba de publicar Traditional Marking Systems: A Preliminary Survey. Dunkling Books, London & Dover, 2010, 518 pp, ISBN 978-0-9563478-1-7, em parceria com Sergey A. Yatsenko e Oliver T. Perrin. Este livro resultou um grande descobrimento para mim. Conhecia alguns trabalhos sobre marcas de propriedade, marcas de término, etc. na Galiza, mas nenhum tão sistemático e exaustivo como este. A sua leitura ativou a minha memória, agudizou-se-me a olhada e fez com que o que antes passava desapercebido, agora seja do máximo interesse.
Nesta postagem vou fazer um percurso por algumas marcas que fui encontrando, deixando bem claro que não pretendo teorizar sobre elas nem lançar qualquer juízo ou hipótese, tão só fazer um trabalho desc
ritivo apoiado nalgumas fotografias e desenhos.
MARCAS DE PROPRIEDADE
O casco velho de Rianjo conta com numerosos gliptogramas fáciles de localizar, apenas com manter a vista atenta aos muros dos prédios. Um exemplo da acessibilidade a este tipo de arte esquemático, encontramo-lo em duas casas localizadas na Costinha da Igreja e na Rua Paio Gomes Charinho.
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O primeiro está colocado no dintel duma das janelas que dão a rua. O desenho esquemático semelha uma representação antropomórfica, existindo numerosa bibliografia onde se representam exemplos quase idênticos.
O segundo está constituído por uma pedra incrustada numa edificação moderna. O símbolo da esquerda pudera ser também uma marca de propriedade, ainda que eu não encontrasse nenhum exemplo parecido nos repertórios editados. O interessante desta pedra está na sua datação certa, 1645.
CRUZES
Algo verdadeiramente curioso para mim é a quantidade de cruzes gravadas nas paredes exteriores das casas de Rianjo e também, nalguns casos, em muros e valados.

A cruz número 3 está no topo da Rua do Médio, fronte a igreja e o número 4 no Campo de Abaixo. O resto, da número 5 ao 8, fui-as encontrando no caminho que sobe por Rio de Sima, ou devera ser Cima?, até o Campo das Cartas. Por suposto há um grande número de cruzes nas igrejas de Santa Columba e da Guadalupe, mas quis trazer aqui só as que encontrei fora de templos católicos. Desconheço a utilidade que possam ter estas cruzes. O mais doado é pensar que houvera um fim profilático de salvaguarda das pessoas que moram no interior das vivendas. Mas então porque há tantas em muros como os que formam as paredes da ruela do Rio de Sima?.
De todas as que até o de agora tenho registadas, nenhuma tão espetacular como a que adorna o pé direito duma porta no lugar de Leiro.
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MARCAS DE CANTEIROS
Nas paredes de Santa Columba, sem ter em conta as cruzes, há um interessante repertório de gliptogramas, cuja maioria podem ser denominados marcas de canteiro, mesmo que o seu uso e finalidade não fique de todo clara. Até agora só fiz inventário das exteriores, pois o interior é de difícil acesso, tendo em conta o pouco que o templo abre as suas portas e que quando o faz é para celebrar ofícios.




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Mas há outras marcas muito mais enigmáticas, quando menos para mim que não faço ideia que podem significar.
Podem ser representações de ferramentas? Emblemas dalgum grémio? O curioso é que estão situados no mesmo muro, orientado ao norte, a uma altura similar.
Mas os riscos para mim mais enigmáticos estão num contraforte, já muito degradados e difíceis de transcrever.
Um caso excepcional constitui-o a parede exterior duma vivenda aparentemente construída no século vinte, cheia de marcas de canteiro numa quantidade tal que não me arrisco sequer a aproximar. Na fotografia que adjunto marquei umas quantas com círculos azuis. Deixo para outra ocasião um relato mais certo do que amostra esta vivenda.



















2 comentários:
Caro carcaman , ajradeserche que veña aljen do medio da ria dar a conoser o patrimonio rianxeiro.As fotos nº 12,13 e 15 a xente que sabe di que poden ser representasions simplificadas do "crismon" maila nº 16 non che recorda a grafia do A que usaba Castelao?.Unha aperta.
Caro: Como marca de canteiro acho que a forma de P e a de A deve ser as que mais bibliografia têm. Por certo, no interior da igreja, acho que a forma de P é a maioritária, ainda que não esteve dentro muito tempo. Por quanto a Castelao o certo é que ele tomou como referente iconográfico o românico galego e a cultura popular. Já faz muitos anos eu escrevera pedindo que se institucionalizara as letras de Castelao como as letras representativas da Galiza, como os bascos têm as suas e os irlandeses também.
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