sexta-feira, 23 de agosto de 2013

nº 172 Uma fotografia de Gerda Taro.

Muitas vezes tenho olhado curioso para esta fotografia. Há algo nela que me atrai, que me atrapa, e não tem nada a ver com que os protagonistas sejam músicos, ou tal vez sim.

A fotografia achega-nos uma história dramática. A bordo do acoiraçado da armada espanhola Jaime I, navio que permaneceu fiel a república, um grupo de homens batem palmas e sorriem por enquanto um marinheiro toca um acordeão diatônico de oitenta baixos, Monferrato? e outro uma gaita de foles. A foto está assinada por Gerda Taro, fotografa de prensa companheira do também fotógrafo Robert Capa e datada em Almeria em fevereiro do 1937. 

O Jaime I é bombardeado no porto de Almeria três meses depois de tirada esta instantânea, primeiro por aviões italianos e em dias sucessivos por hidroaviões vindos de Cádiz. Embora com grandes destroços consegue chegar a Cartagena onde tem a sua base. O 17 de junho, quando o barco está a ser reparado, uma explosão no seu interior causa trezentos mortos e o fim definitivo do acoiraçado. É mais que possível que entre os falecidos estejam muitos dos que aparecem na fotografia, quiçá também os músicos.

Um mês mais tarde, em 26 de julho, Gerda Taro morre em plena batalha de Brunete a consequência das feridas provocadas pelo atropelo dum tanque.


                    

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