quarta-feira, 29 de junho de 2011

nº 115 A Câmara de Ugia X

Foto: Ugia Pedreira ©; Texto: Orjais ©

Quando te pões ante mim
luzindo teu corpo espido,
não sei se serás um anjo
ou mais bem um anticristo.

(Seica lhe disse Nietzche a uma moça...)

sexta-feira, 17 de junho de 2011

nº 114 Como em Irlanda.

Faz uns anos compus uma peça para uma obrinha de teatro que fizera com as crianças do meu colégio. Não é grande coisa mas tem a magia de estar feita na companha duns grandes músicos, César Longa e Xosé Ameneiro. Foram parceiros meus em Leixaprén e continuam a ser grandíssimos amigos.
Está hoje aqui porque também existe a música do si, a música que fazemos para falar com nós próprios, sem pretender o aplauso ou o afago de pares ou peritos. Quando fizem as primeiras notas de Como em Irlanda, pensava que os versos de Branhas eram utópicos, que aqui jamais ia passar nada e que um dia seriamos destruidos definitivamente. Tive vontade de ser mestre para educar resistentes, meninos que de adultos tiveram na sua voz palavras galegas e no seu coração o orgulho de existir numa pátria que fosse sua. Hoje já não sei qual é o meu sítio ou se há um lugar para mim.
Mas todavia fica a música, boa ou má, para a evasão ou a saudade, pano de bágoas ou pura comedia.






sábado, 4 de junho de 2011

nº 113 Graffiteiros do passado III

III

A ALDEIA VELHA DE ABUIM.

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Desenho de Castelao para o conto
A Aldea esquecida do livro Cousas.

Não gosto nada disso de chamar Aldeia Maldita ao grupo de casas abandonadas em Abuim, uma paragem cheia de beleza e onde há alguma que outra marca da que gostaria de falar um bocadinho. Não gosto de que a uma lenda de grande valor desde o ponto de vista etnográfico, se lhe dê categoria de histórica sem um trabalho prévio de especialistas, duma equipa interdisciplinar que resolva todos os mistérios deste povoado desabitado.
No meio da aldeia, um tem a sensação de que o único que aconteceu é que os vizinhos abandonaram um lugar afundido no terreno, sombrio, para procurar espaços mais elevados, em todo caso a poucos metros de onde viviam com anterioridade. Isto parece que desbotaria a hipótese da peste ou qualquer outra epidémia-maldição, pois essa pouca distância entre a aldeia velha e a nova não os ia proteger muito. Com tudo considero que qualquer hipótese ao respeito é uma arroutada um tanto desnecessária, em quanto que não se fazam estudos sérios bem alicerçados na ciência.
Eu vou documentar algumas coisas interessantes que tenho observado nas minhas visitas ao lugar, sempre com a esperança de que a alguem lhe resultem de utilidade.

No caminho pelo que nos adentramos à aldeia há uma casa restaurada com uma grande portada, cujos pernos estão fixados em dous grandes piares. Um deles tem uma cruz com uma cifra embaixo, quiçá uma data.

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O meu calco

De emprender um estudo sério sobre o lugar, haveria que ter em conta esta pedra, perguntar aos donos a sua origem, se sempre estivo lá ou se foi trazida doutro lugar, etc.

Os Caminhos.

Alguma das imagens mais impactantes da Aldeia Velha de Abuim estão nos seus caminhos, corredoiras com altos muros a cada lado e com os restos das pedras que noutrora forraram o chão.

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Nalgumas destas pedras inclusive podemos apreciar o sulco deixado pelas rodas dos muitos carros de bois ou vacas que transitaram por cima.

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A gente que normalmente visita a Aldeia Velha fica só no primeiro grupo de casas, três exatamente, e na corredoira que baixa em direção ao mar. Porém, se te adentras um bocado nos montes dos arredores, ao norte deste caminho principal irás descobrindo novas sendas ocultas no mato, mas que paga a pena visitar.

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Fica para outro momento falar destes caminhos, quiçá traçar um mapa e fazer também um pequeno comentário da feitura dos muros, bem curiosos.

As marcas.

Também na Aldeia Velha de Abuim há marcas que devemos conhecer e que merecem um lugar nestas postagens. O grupo de casas do que ainda ficam algumas ruínas estão agrupadas ao começo do caminho. Numa delas, no pé direito da porta, percebe-se uma imagem antropomórfica triple, quase como um fractal, que me lembra um cristal de neve. Em qualquer caso, não logrei encontrar um exemplo semelhante a este em todos os repertórios de imagens por mim consultados.

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O meu calco.

Embora, a rocha mais monumental está descendo pelo caminho, a poucos metros da casa. Numa pedra cheia de musgo há gravadas, quando menos, duas cruzes associadas a círculos.

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Fotograma da reportagem A morte negra
emitido no programa Cuarto Milenio da
cadeia televisiva Quatro. Na imagem o
periodista Pemón Bouzas.

Tem de haver alguma técnica de restauração para poder tirar da rocha o musgo sem danar os desenhos que ficam ocultos baixo o manto verde. Nas Cruzes de Pedra de Castelao aparece uma cruz como esta com a anotação de que existe em diferentes lugares. Sabemos que o escritor rianjeiro visitou a Aldeia Velha de Abuim pelo relato titulado A aldeia esquecida do seu livro Cousas.

O FORNO DO MARTELO.


Faz uns dias passeava com a minha nena pelo centro de Rianjo, como tantas outras vezes, quando ao chegar à praça de Dieste reparei no perpianho duma casa. As sombras que provocava um sol já em retirada, fizeram que umas letras muito erodidas tiveram por uns instantes uma visibilidade algo maior. Acheguei-me a pedra e repassei com o meu dedo índice o sulco, onde pude ler claramente uma letra V, um M, um S...

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Surpreende-me muito que não tenha lido nada sobre esta inscrição, quiçá romana? nos muitos livros sobre a história local como há publicados. Suponho que algo haverá por ai, assim que se algum leitor sabe qualquer coisa prego mo comunique.
O engraçado do assunto é que em quanto andava a tirar umas fotos com o telemóvel uma mulher maior que vinha da missa perguntou se era periodista. Suponho que lhe pareceu raro que andara a palpar a pedra duma casa que não semelhava ter nada de anormal. Diz-lhe que não, que eu era um professor do colégio de Taragonha e que andava a dar um passeio com a minha pequena. Também lhe contei que naquela pedra que eu estava a tocar havia letras que deviam ser muito antigas. A senhora disse-me que vivera toda a vida aqui a beira e que nunca reparara. Onde si vira muitas coisas escritas era na igreja, que foram os mouros e contou alguma lenda da qual quando tenha mais dados prometo postar.
Também me contou que aquela casa onde estava a pedra inscrita, fora dos Martelo, os donos do paço da praça de Dieste, atual biblioteca. Os proprietários arrendaram-lha a uma mulher que cozia par fora pão e empadas. Depois, a casa fora vendida ao seu atual proprietário, um homem que segundo ela me diz quis obrar mas não lhe deixaram.
O bom é que além do perpianho com as letras, há alguma coisinha mais. Por suposto não podia faltar uma cruz, um símbolo ao que a minha idosa informante não deu nenhuma importância. Segundo ela pôde ser feito por qualquer um, é dizer, não por um mouro. Também há uma marca muito curiosa, uma cifra, 1647. De ser um ano, a sua localização mais lógica seria um dintel, mas encontra-se na cara interior duma janela, pelo que suponho que se trata duma pedra reutilizada doutra construção.

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IHS

Como é sabido o monograma IHS representa o nome de Cristo. Colocado na torça duma porta adquire uma utilidade múltipla: advir-te que quem mora nessa vivenda e bom Cristiano, tem poderes profilático para os seus moradores, saúda aos passeantes, etc. Também os AVE MARIA servem para todo isto, indo ambas palavras muitas vezes juntas no mesmo letreiro. Isto é o que acontece com as duas seguintes imagens, uma de Leiro e outra do Passo.

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No letreiro do Passo, o A M com toda probabilidade são as iniciais de Ave Maria, mas também poderiam ser as iniciais do dono.
Na ribeira de Rianjo há outra casa com pedras que parecem reutilizadas duma antiga edificação da época renascentista. Quando os vi por primeira vez, pensei que podiam ser restos dum dossel mas agora tenho as coisas muito menos claras. O friso da parede do leste tem a cifra 1593 e o do norte o monograma e a lenda LÍBRANOS DE MAL.




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sexta-feira, 27 de maio de 2011

nº 112 Graffiteiros do passado II

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O moinho do Rio do Mar em o Rial.
O moinho do Rio do Mar, no lugar de O Rial, merece uma visita por muitos motivos. Em primeiro lugar, e quiçá o mais importante, porque o conjunto formado pelo moinho e a ponte que está ao seu carão e simplesmente belíssimo.

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A primeira notícia que teve da singularidade desta edificação foi por um artigo publicado em 1981 titulado Dous grabados de embarcacións nun muiño de Rial BRIGANTIUM. Boletín do Museo Arqueolóxico e Histórico da Coruña nº 2 da autoria do professor corunhês Fernando Alonso Romero. Dito artigo é muito breve e tão só avisa da existência duns desenhos na porta do velho moinho do Rial. Também achega um calco dos mesmos, isolados de outras marcas interessantes, como são algumas cruzes feitas com a mesma técnica de incisão que os barcos.
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Fernando Alonso Romero diz, acho que dum modo puramente intuitivo, que quiçá se trate da estilização dum daqueles barcos dos que noutros tempos podiam avistar-se desde a baía do Rio do Mar.
Já disse que esta série de artigos só procura documentar, nunca teorizar, sobre marcas que não foram apenas estudadas com anterioridade e que merecem ser objeto da atenção de pessoas mais sabidas do que eu. Mas não me podo resistir a amostrar-vos algumas imagens verdadeiramente surpreendentes. Quando vi estes desenhos do moinho do Rio do Mar lembrei de imediato as conhecidas como "siglas poveiras" definidas como "uma forma de proto-escritura primitiva, já que se trata de um sistema de comunicação visual rudimentar; [que] eram usadas como brasão ou assinatura familiar para assinalar os seus pertences". fonte
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Siglas poveiras fonte
Em Portugal disse que a origem destas marcas estaria nas invasões vikingas das nossas costas, mas o interessante é o caráter marítimo das mesmas. Outra referência a ter em conta encontrá-la-iamos nos muros da fortaleça de Brouage, na França. Nas Actas del V coloquio internacional de gliptografia, II Vol. Ponte Vedra, Julio de 1986, podemos ler um artigo fascinante: Les graffiti des remparts de Brouage. (Charente-Maritime-France). p. 539-563. Como uma imagem vale mais que mil palavras, eis uma ilustração do artigo.
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Como se aprecia nos mastros e velas dos barcos têm certas analogias com Rio do Mar. Na ilustração de Brouage, vemos, na parte superior, uma linha de cruzes que estariam disseminadas pelos mesmos muros que os barcos. Pois bem, na porta do moinho do Rial há também cruzes como esta:

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Remarcado digital

A porta do moinho está muito deteriorada sendo uma autêntica milagre que sobrevivera até hoje. Acho que uma medida oportuna seria a de que o concelho negociara com os proprietários a cessão da dita porta a câmbio doutra nova, para ser conservada no Museu do Mar. Se não se tomam medidas urgentes, qualquer dia ficamos sem ela.
No dintel do moinho podemos ver uma inscrição em pedra que diz:


ME HIZO D.N BALTASAR BLANCO.
EN EL AÑO DE 1832.

Na agulha esquerda da porta há uns gravados nos que se aprecia claramente uma cruz e uma letra P, mas pode haver alguma outra inscrição hoje muito erodida.
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Um dado muito bom que nos achega Fernando Alonso Romero é a hipótese de que a pintura da porta, e quiçá também das paredes, esteja feita a base de casca de pinheiro, a mesma que se usava quando eu era criança para encascar as redes. Acho que esta técnica de tingir abandonou-se com a chegada dos aparelhos de fio sintético. Alguma vez tenho lido que também os hábitos franciscanos se tingiam a sua vez empoçando o pano neste líquido.
A passadeira ou pontezinha ao pé do moinho é uma delicada obra de cantaria onde a lógica é o conhecimento do médio resultam evidentes. Os piares têm a forma arredondada por um extremo, o que se enfrenta a corrente e quadrada pelo outro. Com isto conseguem que haja uma menor resistência ao rio e, ainda mais, uma menor acumulação da ramada arrastra pela água.
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Em previsão das cheias, as lousas dos peitoris, têm um buracos quadrados por onde escorrer a água.

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A CASOTA DE LEIRO
O meu amigo Carlos Collazo levou-me até uma casota das utilizadas pelos marinheiros para guardar os seus aparelhos e demais utensílios do ofício. Está na praia de Leiro e é uma edificação de blocos de concreto sem qualquer interesse mais que o anedótico de ter-se encontrado no seu interior nada menos que o Casco de Leiro.
Na mesma linha de praia onde se levantou esta casota há muitas outras feitas de tijolo ou com os surrealistas bombos de bateia.
Mas ao par de todas elas há uma singularíssima que guarda inúmeros gravados, os quais deveram ser visitados quanto antes pela comunidade científica.
Sobre o dintel há um símbolo que poderia ser uma marca de propriedade, quiçá o emblema da família dona da casa.
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Nos muros encontramos gravuras de difícil interpretação. Há, por exemplo, uma cifra, 1823 ou 1828, que imediatamente sugere um ano, uma data, mas quem sabe...
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Também podemos encontrar iniciais e algum outro risco pouco claro. Mas de entre todos os que nos identificamos há dois que chamaram especialmente a minha atenção. Em primeiro lugar uma pedra do muro norte, um pequeno rebo quase triangular com duas covinhas como orbitas duma cara sem olhos. Quando a vi por primeira vez fiquei um instantinho a olhar para ela, e mesmo que a foto não lhe faz muita justiça, certamente logrou, por algum motivo que desconheço, seduzir-me.
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A outra é um perpianho que contem uns riscos que me fizeram dar-lhe muitas voltas a cabeça pensando na sua possível origem.

Separados por uma diaclase vemos no lado esquerdo um grupo de letras onde se lê claramente F A I. No lado direito, ao lado duns riscos e pontos nada claros, uma figura antropomorfa esquemática.
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Disimulem o meu vandalismo ao pintar com grafito preto os riscos, mas quando comecei a traçar não contava com encontrar coisa de tanto interesse. Sinto-o.
Continuaremos...

sexta-feira, 20 de maio de 2011

nº 111 Graffiteiros do passado I

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Esta série de postagens quero-a dedicar ao amigo Carlos Collazo, grande conhecedor da geografia arqueológica de Rianjo e que me acompanhou na visita a alguma destas marcas.

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O meu amigo e ilustre rianjeiro Joam Evans Pim acaba de publicar Traditional Marking Systems: A Preliminary Survey. Dunkling Books, London & Dover, 2010, 518 pp, ISBN 978-0-9563478-1-7, em parceria com Sergey A. Yatsenko e Oliver T. Perrin. Este livro resultou um grande descobrimento para mim. Conhecia alguns trabalhos sobre marcas de propriedade, marcas de término, etc. na Galiza, mas nenhum tão sistemático e exaustivo como este. A sua leitura ativou a minha memória, agudizou-se-me a olhada e fez com que o que antes passava desapercebido, agora seja do máximo interesse.
Nesta postagem vou fazer um percurso por algumas marcas que fui encontrando, deixando bem claro que não pretendo teorizar sobre elas nem lançar qualquer juízo ou hipótese, tão só fazer um trabalho desc
ritivo apoiado nalgumas fotografias e desenhos.

MARCAS DE PROPRIEDADE

O casco velho de Rianjo conta com numerosos gliptogramas fáciles de localizar, apenas com manter a vista atenta aos muros dos prédios. Um exemplo da acessibilidade a este tipo de arte esquemático, encontramo-lo em duas casas localizadas na Costinha da Igreja e na Rua Paio Gomes Charinho.



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O primeiro está colocado no dintel duma das janelas que dão a rua. O desenho esquemático semelha uma representação antropomórfica, existindo numerosa bibliografia onde se representam exemplos quase idênticos.
O segundo está constituído por uma pedra incrustada numa edificação moderna. O símbolo da esquerda pudera ser também uma marca de propriedade, ainda que eu não encontrasse nenhum exemplo parecido nos repertórios editados. O interessante desta pedra está na sua datação certa, 1645.
CRUZES
Algo verdadeiramente curioso para mim é a quantidade de cruzes gravadas nas paredes exteriores das casas de Rianjo e também, nalguns casos, em muros e valados.
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A cruz número 3 está no topo da Rua do Médio, fronte a igreja e o número 4 no Campo de Abaixo. O resto, da número 5 ao 8, fui-as encontrando no caminho que sobe por Rio de Sima, ou devera ser Cima?, até o Campo das Cartas. Por suposto há um grande número de cruzes nas igrejas de Santa Columba e da Guadalupe, mas quis trazer aqui só as que encontrei fora de templos católicos. Desconheço a utilidade que possam ter estas cruzes. O mais doado é pensar que houvera um fim profilático de salvaguarda das pessoas que moram no interior das vivendas. Mas então porque há tantas em muros como os que formam as paredes da ruela do Rio de Sima?.
De todas as que até o de agora tenho registadas, nenhuma tão espetacular como a que adorna o pé direito duma porta no lugar de Leiro.

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MARCAS DE CANTEIROS

Nas paredes de Santa Columba, sem ter em conta as cruzes, há um interessante repertório de gliptogramas, cuja maioria podem ser denominados marcas de canteiro, mesmo que o seu uso e finalidade não fique de todo clara. Até agora só fiz inventário das exteriores, pois o interior é de difícil acesso, tendo em conta o pouco que o templo abre as suas portas e que quando o faz é para celebrar ofícios.

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Os "amigos da nave do mistério", que de todo há, podem comparar a última dos sinais dos canteiros como a chamada Cruz de Satão.

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Mas há outras marcas muito mais enigmáticas, quando menos para mim que não faço ideia que podem significar.
Podem ser representações de ferramentas? Emblemas dalgum grémio? O curioso é que estão situados no mesmo muro, orientado ao norte, a uma altura similar.

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Mas os riscos para mim mais enigmáticos estão num contraforte, já muito degradados e difíceis de transcrever.

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In situ, eu desenhei algo semelhante a isto.

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Todavia, numa pedra das escadas do sul pelas que se acede ao adro, há uma pedra que contem o que parecem letras, mas que não dou decifrado.

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São muito conhecidos as marcas de canteiro do Castelo da Lua, na praia da Torre. Diz a gente de Rianjo que muitos perpianhos do castelo foram reutilizados na construção de vivendas pelos vizinhos de todo o concelho rianjeiro. Quiçá seja esta a razão do porquê ás vezes encontramos alguns riscos em lugares onde não devera havê-los. Num local da Praça de Dieste encontramos este símbolo muito semelhante a outros de Santa Columba ou do próprio Castelo da Lua.

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Um caso excepcional constitui-o a parede exterior duma vivenda aparentemente construída no século vinte, cheia de marcas de canteiro numa quantidade tal que não me arrisco sequer a aproximar. Na fotografia que adjunto marquei umas quantas com círculos azuis. Deixo para outra ocasião um relato mais certo do que amostra esta vivenda.

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