segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
nº 14 Pregão da Gaita Galega 1852
A Gaita Gallega de João Manuel Pintos é uma obra singular pelo que tem de pioneira mas, sobre tudo, pela valentia que amostra a hora de tratar o conflito linguístico entre o galego e o castelhano. Os protagonistas da história, como na gravura de Goya, personificam o mundo ao revés. O que fala castelhano é o criado-tamborileiro Pedro Luces, o qual acode onda o gaiteiro do Leres aprender a falar galego e tocar a gaita.quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
nº 13 A guitarra de Antonio de Puga
Cego com guitarra e cão. S. XVIII
O tamborileiro
Fonte: Fundação Caixa Galicia
Rosácea da quitarra do quadro de Antonio de Puga.
domingo, 18 de janeiro de 2009
nº 12 Um bugulu do Bosch

Fonte: Museu do Prado.
A personagem central, a do alto chapéu, é um cego que se apoia num guia, o seu criado. Leva um capote cumprido e assomando pelo capuz vemos a cabeça e o braço estendido duma marioneta.
A técnica que executavam estes artistas ambulantes consistia em manipular um boneco de mão usando como telão o capote e como manipulador o próprio cego ou o criado.
Muito conhecida é a imagem de O Galego dos Curritos, obra do pintor Leonardo Alenza y Nieto, (Madrid, 1807-1845).
Fonte: Museu do Prado.
Esta cena mostraria a performance dum músico nas ruas de Madrid vários séculos apôs do quadro do Bosch.
Por último, resulta curioso ver como o sanfonista pintado por Fierros, actualmente no Museu de Lugo, tem os atributos próprios do artista ambulante, comuns aos três desenhos: grande chapéu, cumprido capote e uma moca ou pau na mão para servir de bordão ou assegurar-se a superioridade nos maus encontros.
Fonte: Museu de Lugo.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
nº 11 Um poema de Maiclar
Ninfa del Duero, bien haya
quien tal voz y humor te há dado:
tu cantar me há consolado
en mis cuitas y dolor.
Que lo he de aprender te juro
y mas por ser parecido
á uno en Galicia aprendido
del aldeano cantor.
A mi país delicioso
sirena, me has trasportado
dondo otro tiempo he amado
com infantil ilusión.
Donde ofreciera mil veces
el alma la vida entera
cual tu ofreciete, Aceñera,
á los aires tu canción.
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La Aceñera |
domingo, 11 de janeiro de 2009
nº 10 Amo-te Teresa
Porém, até a mais forte indigestão, se é que não te leva a tumba, tem por força que passar alguma vez. E a mim passou-se-me neste 2008 no que teve ocasião de me voltar a sentir músico ao lado de algumas das pessoas a quem mais estimo nesta profissão.
A família que acompanhamos a Manuela somos o Xurxo Varela, o seu filho, grande experto em música antiga, Paco Barreiro, excelente guitarrista e um dos melhores dubladores de vozes para o cinema e a T.V. da nossa terra, Manuel Dopico, meu irmão, o depositário de tudo o talento que guardavam os cromossomas dos meus pais, e eu mesmo.
No verão teve ocasião de tocar com o grupo do luthier e viola Francisco Luengo, Malandança. O repertório girava entorno às cantigas de Martim Codax, cantadas pela voz espectacular de Paulina Ceremużyńska. Durante anos esteve muito interessado no pergaminho Vindel como documento fulcral na historiografia musical galega. Desde o seu descobrimento pelo antiquário madrileno até a sua localização actual na Pierpont Morgan Library, este pequeno troço de vitela teve uma vida bem curiosa. Agora não só ia poder reflexionar sobre o documento, senão que colaboraria numa performance pública destas melodias recuperadas. O lugar escolhido foi a universidade laboral de Gijón, uma construção franquista a médias entre o kitsch nazi e a estética EXIN Castillos.
No último trimestre do ano vieram os concertos mais emotivos.
- O 14 de Novembro presentávamos no meu colégio um C.D. que nos mesmos produzimos, Son de Rianxo. No remate do acto pedi a Pepe Romero filho que tocara alguma peça do seu repertório, acompanhado por José do Rio do Anjo ao bombo e eu mesmo no tambor. Para mim foi uma breve mas muito emotiva actuação. Eu nunca tocara com o mestre Pepe Romero, apesar de anos de amizade, pelo que fiquei muito honrado e aguardo que ele saiba o muito que para mim significou a sua presença entre nós aquele dia.
- O 4 de Dezembro, no teatro Jofre, numa produção da TVG, homenageamos a María Manuela por toda uma vida de carreira musical. Lá estiveram Mini e Mero, Pilocha, Uxia Senlle, Xoán Rubia, Ugia Pedreira, Guadi, Paloma Suances, Susana Seivane e um grupo de músicos dirigidos por Xurxo Varela e Nani García. Quando fazes parte duma banda que tem de acompanhar a um pessoal como este, cada instante que vives é uma experiência única, uma aprendizagem impagável e um antídoto contra a depressão patriótica.
- O 30 de Dezembro, teve a honra de tocar na Sé de Compostela o Ordo Profetarum. Substitui ao percursionista habitual, na actuação mais complexa e extenuante da minha vida profissional. Para mim foi um desafio integrar-me num espectáculo perfeitamente estruturado, com uma arquitectura perfeita na que eu só podia pretender não incomodar, jamais ser brilhante. A coisa decorreu bastante bem, não fiz demasiado ruído, pelo que posso dizer que em termos gerais fiquei satisfeito. Mas o verdadeiramente indescritível e o facto de tocar na Sé uma música tão formosa. O meu ateísmo não me inabilita para sentir o peso que Compostela e a sua catedral tem na história do nosso país. Como galego, senti que por um instante estava a ocupar um lugar privilegiado, o altar que outrora ocupara Gelmírez, naquele no que fora coroado o rei Afonso VII. Vestido como estava com roupa talar e malhas, senti vontade de ser um cruzado da causa galega, um adiantado a defender desde o púlpito a nossa soberania. Mas desisti ante a hipótese de que o pessoal achara que estava a ver um comercial de Gadis.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
nº 09 O Cantor dos Melismas 3
Manuel António
As ruas todas têm fome de meninos.
Noutros tempo
o eco eram pisadas diminutas
esvaziando as poças a pontapés.
Havia custosos presentes
para amores diminutos:
uns brincos de fúchsias
Havia diminutos fatos
que nunca passavam desapercebidos,
diminutos lanches
de tijolo e chuchamel,
a abrir hospitalário o seu portelo.
Mas hoje as ruas estão fomentas de meninos
quem sabe se fugidos
para um outro território sem infantários-infantívoros.




