domingo, 1 de maio de 2011

Nº 108 Fr. Ambrósio Otero, um carcamão em Manila. III

Graças a eficaz gestão do meu irmão Xoan Dopico e da amabilíssima colaboração do padre arousão Victor Suárez, posso publicar agora a cópia literal da ata batismal de Ambrósio Otero. Não achega muita mais informação da que já tínhamos, apenas a da data do seu nascimento, dois anos antes da que vínhamos citando e o nome do padre que o batizou e mais do padrinho. Como a informação foi chegando aos bocadinhos, transcrevo todos os dados certos que sabemos até agora.

Fr. Ambrósio Otero Álvarez.

- Lugar e data de nascimento: Ilha de Arousa, 10 de maio de 1753.
- Os seus pais foram Joseph de Otero e Josepha Álvarez. Padrinho, Julián de Señoráns. Foi batizado pelo padre franciscano, presbítero Frai Joseph González.
- Tomou o hábito dos agostinhos em Valladolid o 10.9.1773.
- Professou em Valladolid o 22.9.1774.
- Chegou a Filipinas em 1778.
- Em 1783, Fr. Ambrósio exerce de pároco na igreja de a Nossa Senhora do Patrocínio de Maria em Boljoon, Cebu, Manila.

Placa informativa na Igreja de Boljoon, onde se cita a Ambrósio Otero.

- De 1788 a 1802 é pároco de São Nicolás Tolentino.
- De 1802 a 1808 passará por diversos cargos no convento do Santo Menino (Santo Niño) de Manila até ser nomeado prior em 1806.
-Em 1808 é prior do convento de Manila.
- Em 1814 é nomeado Provincial.
- Morreu em Filipinas o 09.06.1819.

Copia literal da ata bautismal de Ambrósio Otero.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Nº 107 Fr. Ambrósio Otero, um carcamão em Manila. II

O secretário provincial dos agostinhos, Marcelino Esteban Benito, pus-me em contato com o historiador P. Jesús Álvarez Fernández. Este, muito amavelmente, deu-me novos dados sobre o Fr. Ambrósio Otero que passo a transcrever.
O seu nome completo era Ambrósio Otero Álvarez, filho de José e Josefa. Tomou o hábito em Valladolid o 10.9.1773 “entre as oito e as dez da manhã, dia de São Nicolás de Tolentino", e profesou em Valladolid o 22.9.1774 “entre as oito e as dez da manhã” ante Fr. Miguel Antonio Sarrapio, Reitor e Fr. Manuel de San Agustín, Mestre de Noviços.
Também sabemos que chegou a Filipinas em 1778, com o fim de apreender o idioma local e que a data completa da sua morte foi 09.06.1819.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Nº 106 Fr. Ambrósio Otero, um carcamão em Manila I

Às vezes, a casualidade faz que encontres surpresas onde menos o esperavas. Isto foi o que me aconteceu quando lia num velho livro sobre o estabelecimento dos agostinhos em Filipinas. Entre os frades que lá estiveram a evangelizar, houve um arousão que deixou a pequena Ilha de Arousa para irem morar e morrer numa ilha muito mais grande, até se converter no chefe da sua ordem, os frades de Santo Agostinho.
Até o de agora, não tenho muita informação sobre o tal frade, mas à espera de que algumas investigações que tenho encetadas dêem os seus frutos, ai vos deixo o que sei, a breve história dum carcamão em Manila.

Fr. Ambrósio Otero nasceu na Ilha de Arousa em 1755, professando dezanove anos mais tarde no Convento dos Agostinhos Filipinos de Valladolid. Esta congregação religiosa nascera em 1758 amparada pela monarquia espanhola, dado o alto interesse que para a coroa têm o controlo da colónia. Por isto não espanta que em 1783, Fr. Ambrósio exerça de pároco na igreja de a Nossa Senhora do Patrocínio de Maria em Boljoo, Cebu, Manila. Esta igreja fora destruída pelas incursões muçulmanas, e ao frade arousão se deve a sua reconstrução. De 1788 a 1802 fará-o na de São Nicolás. A partir deste momento começa o seu grande ascenso até o mando máximo da ordem agostiniana na província de Filipinas. Em 1802 a 1808 passará por diversos cargos no convento do Santo Menino até ser nomeado prior. Em 1808 é prior do convento de Manila e Provincial no 1814, o máximo cargo que um agostinho podia ostentar nas Filipinas. Ao remate do seu mandato volta ao priorado do Santo Menino, onde morre em 1818.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Nº 105 Dias de congressos

O mês de março vem quentinho, cheinho de trabalho e de projectos que precisam ser realidades. Vou estar em dois congressos cujo fio condutor sera a sanfona e a amizade. De facto, se isto último não andara por meio, duvido muito que tivera dito sim a petição de palestrar em pleno curso escolar.

O dia 11 estarei em Ourense, no congresso homenagem a figura do músico e intelectual galego Faustino Santalices. Os organizadores são, entre outros, os irmãos Cástor e Félix Castro, amigos de velho e autênticos activistas da nossa cultura. Falarei do contexto social no que desenvolveu a sua atividade o pai da sanfona moderna, o mundo convulso e cambiante que lhe tocou viver.
Uma semana mais tarde, o dia 18, falarei em Narão de outro vulto da nossa cultura, o escultor compostelão, Isidoro Brocos. Além de artísta plástico, Brocos foi músico e investigou a música tradicional galega. Presentarei um fundo documental onde haverá muitas e agradáveis surpresas para os amantes da sanfona e do folclore musical em geral. Organiza a aCentral folque, uma ilha de interior.

Se sobrevivo já irei contando.

Para mais saber:



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sábado, 26 de fevereiro de 2011

nº 104 Prelúdio primaveral.



Era um céu tão azul
que teve vontade de ser nuvem;
cúmulo aborregado;
um branco perfeito no além.

Era um céu tão azul
que morri de medo à azulidão.


Foto e Texto: Orjais ©

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

nº 103 A lenda de Paio Gómez Charinho de Antón Alcalde.

Como já anunciara na postagem nº 99 teve a honra de colaborar com a Banda da Escola de Música de Rianjo na encenação de A lenda de Paio Gómez Charinho do mestre Antón Alcalde. Eu toco uma discretíssima sanfona e pego um gritinhos fazendo dum Paio Gómez algo zangado. Gostei infinito da experiência, não por subir novamente aos cenários, que já vou velho para certas coisas, mais sim por compartir um tempinho com a mocidade emergente de Rianjo, a que dá bom nome a vila e exemplo de trabalho e responsabilidade a tanto adulto preguiçoso e irresponsável. Ponhamos a cultura em mãos deles e o porvir será melhor que o presente.
Coloco o áudio que já se pode ouvir no portal da federação de bandas fgbmp.net, gravado no mês de novembro no Auditório de Galiza, em Compostela.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

nº102 Comamos como galegos.

Em 1891 saía publicada em El Heraldo de Madrid, a ementa que vai ser servida na celebração da festividade da Virgem dos Remédios. Sendo jantar de galegos não podia ficar escasso.
Já de manhã as mulheres papas e os homens aguardente de Rabo de Galo. Em Brasil, e acho que também no resto de América do Sul, o Rabo de Galo é uma mistura de cachaça e vinho tinto ou conhaque, é dizer, um tóspero dos de toda a vida. Não fazia ideia de que na Galiza se usara este termo, que igual até quem sabe se o levamos nós para as Américas.
Para o jantar, colesterol e vinhos do Ribeiro e Monte-rei; a ceia mais ligeira, até com uma salada com ovos. O resultado é uma pantagruélica jornada gastronómica de exaltação dos produtos das vilas e aldeias de Ourense, isso sim, com umas xouvas que se colaram a última hora.
Mas o que mais interesse me produz, é a parte do baile e as curiosas observações que se fazem. Avisa-se que não se aguarda aos nugalhões, é dizer, que o que chegue tarde perderá alguma das múltiplas viandas. Exige-se etiqueta, isso sim, os homens de calção curto (esqueceram a monteira) e as mulheres de cós baixo, quer dizer, que a gente leve o fato tradicional. Nada de baralhas nem escarros, entende-se que é uma romaria, mas uma romaria na capital, portanto, urbanidade senhores!
E por último, os músicos. Haverá gaitas, berimbaus e sanfona, mas não em totum revolutum como nas foliadas e serões que na actualidade são armados nos pubes folquis, tabernas nocturnas e outros antros afortunadamente já sem tabaco. Os organizadores avisavam de que os instrumentos iram-se alternando, para bom desfrute de cada actuação.
Já mais a sério, haveria que destacar a citação a berimbaus e sanfona num ato de galegos na capital do estado.
Por certo, se alguém se anima a organizar uma jornada culinária como esta, eu levo gaiteiros, birimbaos e sanfona, isso sim, todos a mantido.


A Virxen d'os Remedios

He aqui el menú de las tres comidas con que celebrarán hoy el santo de su Patrona la Santísima Virxen d'os Remedios los farrucos e farruquiñas d'Ourense.

A MAÑÁ
Parva.

Broa.-Papas de fariña de millo (pr'as mulleres e nenas).-Augardente de Rabo de Galo (pr'os homes).

O MEDIODÍA
Xantar.

Pan centéo.-Caldo de berzas.-Pulpo curado é lavado d'a rua d'a Groria.-Xamón de Maceda.-Empanadas de anguías é lamprea.-Fociño, orellas e mans de porco (conservados en manteiga).-Pavías d'0 Riveiro.-Requeixón d'a Serra de San Mamede é tamén d'o fogar de Carballeda e dós Mesós d'o Reino.-Almendras d'Allariz.-Viño d'a Farixa, de Tamaguelos, dó Avia e Becerra de Monterrey.

Á NOITE
Cea.

Pantrigo.-Xoubas fritas.-Troitas escabechadas d'Arnoya é d'a Ponte-Fechas.-Ensalada de leitugas con hovos cocidos.

Baile.
Observaciós.

1º Non se espera os nugallaos.-2.º Os homes de traxe corto e as mulleres de talle baixo.-3.º N'o xantar e n'a cea porcurarase non barallar nin lapotear.-4.º Tocarán as gaitas, os birimbaos e a zanfona, alternando.

Madril, 8 de Setembro de 1891.

Termina el menú con los siguientes versos, que harán enternecer los corazones de los farrucos:

Airiños, airiños, aires,
airiños da miña terra;
airiños, airiños, aires,
airiños, levaime a ela.


Ilustração do jornal madrileno El Globo, 2 de setembro de 1885