

BALBOA SALGADO, Antonio (2007) A Galicia celta [Lóstrego; Santiago] p. 122
Tirei-lhe fotografias e meu irmão, com a intenção de que ficara constância das nossas suspeitas, aventurou-se a qualifica-la no seu livro como ara de sacrifícios. Suponho que achou que o feito de sair publicado este dado num livro, moveria algumas consciências e alguém com competências faria algo.
A semana passada fui pelo Agro de Alonso e encontrei que encostado à suposta ara há um muro que deixou o com principal mas estragou a contorna. Neste caso, as leis de património acho que não podiam ser aplicadas, porque duvido que alguma vez se catalogasse o achado.
Enviei as fotos ao amigo André Pena Graña, perito nestas coisas que disse-me:
-Não me cabe dúvida de que é um outeiro. Outeiro vem de "altarium" e esta palavra a sua vez de "arder".
A maior parte das vezes são rochas com corgos naturais feitos pela erosão. Sobre esses corgos depositavam-se oferendas.
Para que ninguém se esqueça de como era o lugar e nos perguntemos que estamos a fazer mal para que no século XXI continuem a acontecer estas coisas, deito à rede fotos do antes e do depois.
Foto Suso Souto. El Correo Gallego.
A Fonte dos Olhos é um manancial que se encontra na praia da Cova, um dos lugares mais formosos do litoral arousão. A tradição diz que a água que emana de entre os cons tem o poder de curar as enfermidades dos olhos, principalmente a conjuntivite.
O primeiro de Maio fui dar um passeio pelas praias da Arousa junto com Tero, a minha mulher, e Xoán e Moncha, os meus irmãos. Quando passávamos perto do lugar da Cova, fomos até o pé da fonte, para prova-la e tirar umas fotos. Não tem um sabor ou um cheiro especial como outras águas medicinais. Parece, simplesmente, uma fonte, isso sim, a beirinha do mar.
A sua arquitectura é natural: um rego perfurado na rocha pelo fluído contínuo da água que desce até uma bacia escavada também no granito. Para facilitar a condução do líquido havia, quando chegamos, uma folha de eucalipto. Mas Tero encontrou outros mecanismos pousados sobre rochas próximas, como a torneira de cana que mostramos no vídeo.
Era tanta a magia do momento que gravei uns segundos da fonte a deitar, em quanto, como o melhor dos trilhos, escutamos de fundo o mar dos Argonautas.