segunda-feira, 18 de maio de 2009

nº 46 Mãe Ria.

A lua,
com pincel de ardora,
faz seu retrato impressionista
sobre o teu ventre,
Mãe Ria.

Os Argonautas rompem
a machadaços as ondas
com as suas proas milenárias
de carvalho,
procurando no lance
o pão futuro.

Abençoam com isca
a água benta do Mar,
párvulos de náufragos
peritos de solidão.

Mãe Ria,
convir-te cada empopada
numa viagem perpétua deica ti.

nº 45 Lucobo Arousa

Num blogue ilhéu, http://illadearousa2.blogspot.com/2009/05/dicionario-de-ausencias.html teve oportunidade de bater o papo um bocadinho sobre a possível origem da palavra Arousa. As pessoas com as que falei, niks McMill e NaArousa, têm uma opinião um bocadinho diferente a minha que é absolutamente impressionista, é dizer, dá-me a impressão que... Naquela breve troca de pareceres eu prometi colar neste blogue a imagem duma ara encontrada em Lugo e que foi publicada na revista Larouco por A. Rodríguez Colmenero e Enrique González. A ilustração que vos ofereço é do livro A Galicia celta de Antonio Balboa Salgado, editorial Lóstrego.
Como veis há uma inscrição onde se pode ler uma AROUSA como um mundo. Semelha que não tem nada a ver com o nome da nossa ilha... ou sim?

BALBOA SALGADO, Antonio (2007) A Galicia celta [Lóstrego; Santiago] p. 122

sábado, 16 de maio de 2009

nº 44 As Minhas Descargas

Acabo de criar um vínculo, As Minhas Descargas, desde o que se vai poder baixar algum artigo meu inédito ou já publicado anteriormente em papel.
De momento há dois documentos:

1. A obra impressa galega de Eduardo Martínez Torner. (Só bibliografia e partituras) Artigo publicado na Revista Etnofolk, nº 5.

2. Música de la Misa de S. Miguel de Sarandão. Artigo sobre uma missa encontrada por Isabel Rei e eu mesmo no arquivo de Marcial Valladares em Vilancosta. Fotos do fac-símile de Tero Rodríguez.

terça-feira, 12 de maio de 2009

nº 43 Desfeita arqueológica?

Fez uns anos, dando um passeio pelos caminhos da Arousa, fui dar ao conhecido como Agro de Alonso, um pinheiral desde o que se vê o Areoso e o sul da nossa Ria. Procurando uma rocha na que sentar, dei com uma mesa natural, um bloco de granito tronco-cónico ideal para a leitura ou o desenho.
Mas ao dispor-me a subir acima, teve a sensação de que aquele rochedo não podia ser um mais dos muitos que povoam a Arousa. Falei com meu irmão Xoán, e disse-me que não tinha notícias de que nessa tojeira houvera catalogado nenhum resto arqueológico.

Tirei-lhe fotografias e meu irmão, com a intenção de que ficara constância das nossas suspeitas, aventurou-se a qualifica-la no seu livro como ara de sacrifícios. Suponho que achou que o feito de sair publicado este dado num livro, moveria algumas consciências e alguém com competências faria algo.

A semana passada fui pelo Agro de Alonso e encontrei que encostado à suposta ara há um muro que deixou o com principal mas estragou a contorna. Neste caso, as leis de património acho que não podiam ser aplicadas, porque duvido que alguma vez se catalogasse o achado.

Enviei as fotos ao amigo André Pena Graña, perito nestas coisas que disse-me:

-Não me cabe dúvida de que é um outeiro. Outeiro vem de "altarium" e esta palavra a sua vez de "arder".
A maior parte das vezes são rochas com corgos naturais feitos pela erosão. Sobre esses corgos depositavam-se oferendas.

Para que ninguém se esqueça de como era o lugar e nos perguntemos que estamos a fazer mal para que no século XXI continuem a acontecer estas coisas, deito à rede fotos do antes e do depois.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

nº 42 Ayes de mi país.

Estou a rematar as galeradas do meu próximo livro, que esta vez publicarei em colaboração com a professora de conservatório e guitarrista, Isabel Rei. Trata-se da edição do manuscrito de Marcial Valladares, Ayes de mi país, cancioneiro de música tradicional datado em 1865. É pois, a primeira colectânea de folclore musical elaborada na Galiza, uma pequena jóia que agora estamos a sacar à luz.

Resulta-me estranho desprender-me desta obra depois de tanto tempo. Durante mais duma década, levo estudando, investigando, desfrutando de Marcial Valladares e o seu contexto familiar, espacial e temporal. No percurso destes dez anos, publiquei outro cancioneiro, Cantos e Bailes da Galiza, de José Inzenga, e uma boa quantidade de discos, artículos e conferências. Nunca esteve parado, mas bem demasiado ativo, mas também em tudo momento senti a ansiedade, frustração, contrariedade ou o que for, de ter na gaveta o manuscrito do velho petrúcio da Estrada, sem hipótese de editar. Agora, graças a Javier Jurado e Dos Acordes o livro estará nas livrarias por volta do mês de junho. Que seja para bem.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

nº 41 Brea Segade Big Band

Taragonha, terra de músicos. Este poderia ser o lema duma campanha publicitária sobre o lugar no que estou a ministrar aulas nos últimos anos. Quase que em cada casa há alguém que é ou foi músico de banda ou de orquestra popular, ou ambas coisas à vez. Entre os muitos trombetas, saxofones, trombones ou clarinetes há autênticos mestres, homens e mulheres que além da sua habilidade para a execução, transbordam paixão pela música.
Com motivo do 25 aniversário da fundação do Xosé María Brea Segade, o cole taragonhês onde dou aulas, juntamos a uma porção destes músico para celebrar uma espécie de festa popular no pátio do colégio. O resultado foi mesmo espetacular. Os que tocaram, os pais Antonio, Manuel e Valentín, a mãe Aurora, os exalunos Richard e Martín, demonstraram ser uns grandes profissionais. Tocar com eles foi um autêntico luxo e só me fica dizer-lhes OBRIGADO.
Eis o artigo de El Correo Gallego que recolhe a nova.


Foto Suso Souto. El Correo Gallego.

sábado, 2 de maio de 2009

nº 40 A Fonte dos Olhos.

A Fonte dos Olhos é um manancial que se encontra na praia da Cova, um dos lugares mais formosos do litoral arousão. A tradição diz que a água que emana de entre os cons tem o poder de curar as enfermidades dos olhos, principalmente a conjuntivite.

O primeiro de Maio fui dar um passeio pelas praias da Arousa junto com Tero, a minha mulher, e Xoán e Moncha, os meus irmãos. Quando passávamos perto do lugar da Cova, fomos até o pé da fonte, para prova-la e tirar umas fotos. Não tem um sabor ou um cheiro especial como outras águas medicinais. Parece, simplesmente, uma fonte, isso sim, a beirinha do mar.

A sua arquitectura é natural: um rego perfurado na rocha pelo fluído contínuo da água que desce até uma bacia escavada também no granito. Para facilitar a condução do líquido havia, quando chegamos, uma folha de eucalipto. Mas Tero encontrou outros mecanismos pousados sobre rochas próximas, como a torneira de cana que mostramos no vídeo.

Era tanta a magia do momento que gravei uns segundos da fonte a deitar, em quanto, como o melhor dos trilhos, escutamos de fundo o mar dos Argonautas.