sábado, 16 de maio de 2009

nº 44 As Minhas Descargas

Acabo de criar um vínculo, As Minhas Descargas, desde o que se vai poder baixar algum artigo meu inédito ou já publicado anteriormente em papel.
De momento há dois documentos:

1. A obra impressa galega de Eduardo Martínez Torner. (Só bibliografia e partituras) Artigo publicado na Revista Etnofolk, nº 5.

2. Música de la Misa de S. Miguel de Sarandão. Artigo sobre uma missa encontrada por Isabel Rei e eu mesmo no arquivo de Marcial Valladares em Vilancosta. Fotos do fac-símile de Tero Rodríguez.

terça-feira, 12 de maio de 2009

nº 43 Desfeita arqueológica?

Fez uns anos, dando um passeio pelos caminhos da Arousa, fui dar ao conhecido como Agro de Alonso, um pinheiral desde o que se vê o Areoso e o sul da nossa Ria. Procurando uma rocha na que sentar, dei com uma mesa natural, um bloco de granito tronco-cónico ideal para a leitura ou o desenho.
Mas ao dispor-me a subir acima, teve a sensação de que aquele rochedo não podia ser um mais dos muitos que povoam a Arousa. Falei com meu irmão Xoán, e disse-me que não tinha notícias de que nessa tojeira houvera catalogado nenhum resto arqueológico.

Tirei-lhe fotografias e meu irmão, com a intenção de que ficara constância das nossas suspeitas, aventurou-se a qualifica-la no seu livro como ara de sacrifícios. Suponho que achou que o feito de sair publicado este dado num livro, moveria algumas consciências e alguém com competências faria algo.

A semana passada fui pelo Agro de Alonso e encontrei que encostado à suposta ara há um muro que deixou o com principal mas estragou a contorna. Neste caso, as leis de património acho que não podiam ser aplicadas, porque duvido que alguma vez se catalogasse o achado.

Enviei as fotos ao amigo André Pena Graña, perito nestas coisas que disse-me:

-Não me cabe dúvida de que é um outeiro. Outeiro vem de "altarium" e esta palavra a sua vez de "arder".
A maior parte das vezes são rochas com corgos naturais feitos pela erosão. Sobre esses corgos depositavam-se oferendas.

Para que ninguém se esqueça de como era o lugar e nos perguntemos que estamos a fazer mal para que no século XXI continuem a acontecer estas coisas, deito à rede fotos do antes e do depois.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

nº 42 Ayes de mi país.

Estou a rematar as galeradas do meu próximo livro, que esta vez publicarei em colaboração com a professora de conservatório e guitarrista, Isabel Rei. Trata-se da edição do manuscrito de Marcial Valladares, Ayes de mi país, cancioneiro de música tradicional datado em 1865. É pois, a primeira colectânea de folclore musical elaborada na Galiza, uma pequena jóia que agora estamos a sacar à luz.

Resulta-me estranho desprender-me desta obra depois de tanto tempo. Durante mais duma década, levo estudando, investigando, desfrutando de Marcial Valladares e o seu contexto familiar, espacial e temporal. No percurso destes dez anos, publiquei outro cancioneiro, Cantos e Bailes da Galiza, de José Inzenga, e uma boa quantidade de discos, artículos e conferências. Nunca esteve parado, mas bem demasiado ativo, mas também em tudo momento senti a ansiedade, frustração, contrariedade ou o que for, de ter na gaveta o manuscrito do velho petrúcio da Estrada, sem hipótese de editar. Agora, graças a Javier Jurado e Dos Acordes o livro estará nas livrarias por volta do mês de junho. Que seja para bem.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

nº 41 Brea Segade Big Band

Taragonha, terra de músicos. Este poderia ser o lema duma campanha publicitária sobre o lugar no que estou a ministrar aulas nos últimos anos. Quase que em cada casa há alguém que é ou foi músico de banda ou de orquestra popular, ou ambas coisas à vez. Entre os muitos trombetas, saxofones, trombones ou clarinetes há autênticos mestres, homens e mulheres que além da sua habilidade para a execução, transbordam paixão pela música.
Com motivo do 25 aniversário da fundação do Xosé María Brea Segade, o cole taragonhês onde dou aulas, juntamos a uma porção destes músico para celebrar uma espécie de festa popular no pátio do colégio. O resultado foi mesmo espetacular. Os que tocaram, os pais Antonio, Manuel e Valentín, a mãe Aurora, os exalunos Richard e Martín, demonstraram ser uns grandes profissionais. Tocar com eles foi um autêntico luxo e só me fica dizer-lhes OBRIGADO.
Eis o artigo de El Correo Gallego que recolhe a nova.


Foto Suso Souto. El Correo Gallego.

sábado, 2 de maio de 2009

nº 40 A Fonte dos Olhos.

A Fonte dos Olhos é um manancial que se encontra na praia da Cova, um dos lugares mais formosos do litoral arousão. A tradição diz que a água que emana de entre os cons tem o poder de curar as enfermidades dos olhos, principalmente a conjuntivite.

O primeiro de Maio fui dar um passeio pelas praias da Arousa junto com Tero, a minha mulher, e Xoán e Moncha, os meus irmãos. Quando passávamos perto do lugar da Cova, fomos até o pé da fonte, para prova-la e tirar umas fotos. Não tem um sabor ou um cheiro especial como outras águas medicinais. Parece, simplesmente, uma fonte, isso sim, a beirinha do mar.

A sua arquitectura é natural: um rego perfurado na rocha pelo fluído contínuo da água que desce até uma bacia escavada também no granito. Para facilitar a condução do líquido havia, quando chegamos, uma folha de eucalipto. Mas Tero encontrou outros mecanismos pousados sobre rochas próximas, como a torneira de cana que mostramos no vídeo.

Era tanta a magia do momento que gravei uns segundos da fonte a deitar, em quanto, como o melhor dos trilhos, escutamos de fundo o mar dos Argonautas.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

nº 39 PePe Romero, Bravo Mestre!

Hoje fui a Nóia à presentação dum C.D. Aguardava escutar a dois mestres queridos por mim, a José Espanha, clarinetista e compositor e a PePe Romero, geneticamente gaiteiro. Só tocou este último e só por ouvi-lo, a viagem a Nóia logo dum mais que duro dia de trabalho, pagou a pena.
Saiu o gaiteiro ao cenário e durante uns segundos contemos a respiração, sabíamos que ia acontecer algo grande, e aconteceu.
A música de PePe é equilibrada e dominante. Equilibrada porque soube adaptar as novas técnicas ao velho ofício, porque o revolucionário soa a tradicional, a mais difícil equação nos tempos que vivemos. Dominante porque foi suficiente um lamento do instrumento para apoderar-se das nossas vontades, fazer-nos activamente passivos, essa milagre que faz com que um espectador se sinta protagonista do espectáculo.
Arría a Xarda, a sua achega ao livro disco de Barbantia As voces da Musa, tem, alem disso, o sabor a salitre duma foliada marinheira, o aroma da malhante abandonada na beira-mar. Poderia chamar-se Rianjo, Ribeira ou Porto do Som. Poderia ter o rostro dos velhos marinheiros desenhados por Castelao ou a cor duma lua reflectida no mar.
Bom, obrigado, Mestre, pela aula magistral. Galiza e gaitas.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

nº 38

Esta tarde esteve a pintar um mural com as crianças de Taragonha. Colorando um polvo no fundo marinho teve a arroutada de desenhar um heroi arousão e saiu-me isto. Proximamente, já se sabe que não é bom que o homem esteja só, desenharei a Carcawoman, e quem sabe se até alguma BD. Já postos.