quinta-feira, 30 de abril de 2009
nº 39 PePe Romero, Bravo Mestre!
segunda-feira, 27 de abril de 2009
nº 38

sábado, 25 de abril de 2009
nº 37 O moinho das azenhas
Divinas palabras é mais que recomendável por ver no cinema um texto de Valle Inclán, pelos actores, Echanove e Victor Rubio extraordinários, pela ambientação, pela música, etc. Já falarei de algumas incoerências, curiosidades e demais secretos deste filme. Agora, desfrutemos do formoso fotograma das Azenhas.
Fotograma do filme Divinas Palabras.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
nº 36 O maracanaço
Duma volta, os da Torre, o meu bairro, decidimos ir jogar ao Monte, o qual era para mim quase como ser seleccionado para um partido internacional. A preparação foi exaustiva. Treinamos durante a semana, nos recreios do cole, e mesmo tivemos conversas tácticas nas que falávamos de como neutralizar aos melhores jogadores contrários. Mas, além de toda a preparação física e intelectual, tínhamos uma arma secreta: uma caixa de remédios.
A noite anterior ao partido não peguei olho. Deitado na cama, com os olhos fechados, visualizava cada uma das paradas que ia fazer, os golos que meteríamos, o grande trunfo que nos aguardava. Porém, o que mais me quitava o sono era um jogador rival. Era grande, mais bem gigante, algo assim como um trol de David o Gnomo. Como futebolista era péssimo, mas se acertava a dar com a bola podia furar-te e como mal menor, introduzir-te na baliza junto com o esférico. Era tal a sua pouca perícia e suma brutalidade, que os companheiros o situavam como defensor estorvo e quando chegava a ele a bola, a gente berrava o seu nome dizendo a continuação: fura! fura!
Tocou o timbre, fomos às fileiras e quando estávamos preparados para entrar, a minha olhada cruzou-se com a do gigante do Monte. Então, Enormus sorriu. Não era um riso de burla, não havia maldade nem superioridade, senão a tenrura duma criança que com aquele gesto queria pedir perdão. Naqueles poucos segundos de cruzamento de olhos dois meninos comunicaram-se sem palavras e não fez falta mais.
Ano: 1981?
domingo, 19 de abril de 2009
nº 35 Fim da turnê com Maria Manuela e amigas.

sexta-feira, 17 de abril de 2009
nº 34 Missale Romanun de Turim. 1361
Esta imagem pertence a um Missal Romano datado em 1361. Não logrei muita informação sobre o manuscrito italiano, acho que depositado numa biblioteca de Turim, mas a iluminatura é tão fantástica que não me resisto a publica-la no blogue.
No rostro ampliado, vemos que tem as bochechas infladas em atitude de deitar ar dentro do fole, a través dum soprete muito longo. Podemos captar toda a tradição bizantina e as pegadas da revolução naturalista de Giotto.
nº 33
Em palavras de Celso Emílio:
Amigos da saudade que levais
a luz pelos vieiros,
Saúde a todos companheiros.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
nº 32 A estética do si
Ando, desde já faz muito tempo, a voltas com isso que pudéramos chamar a filosofia do si. Depois de ler muito, escutar muito, olhar muito o que fazem os outros, chega a etapa em que precisas descobri-te, inventar-te, dar-te a conhecer a ti mesmo.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
nº 31 Um artigo do jornal madrileno la Estampa. 1935
É por isto que qualquer achega que podamos fazer a este respeito resulta do máximo interesse, para uma posta em comum e uma visão mais globalizada da nossa antropologia cultural.
Um campo urgente de redescobrir é o da prensa escrita, as crónicas daqueles jornalistas que vieram visitar-nos em diferentes momentos e que deitaram nos seus artigos as suas impressões.
Entre os conceitos fundamentais dos que falam os teóricos da investigação etnográfica estaria o do estranhamento. Este estranhamento é o que lhe vai permitir ao investigador manter uma distância com o informante, uma objectividade científica necessária. Com efeito, estamos a falar duma viaje antropológica ideal ao campo de trabalho que quase nunca se dá nestes termos, mas sim considero importante observar ao observador, analisar como os demais nos olham, olhar-nos a nos mesmo e de um trabalho elementar de comparação, concluir como somos na realidade.
Muitos dos artigos que formam parte da etiqueta Hemeroteca dos Ilheus, foram escritos por viajantes estranhados, no sentido etnográfico e psicológico, os quais elaboraram uma descrição densa do que na Arousa foi saindo ao seu encontro. Por tanto trata-se de observar, interpretar e transcrever.
O 09/03/1935 publicou-se o artigo En la isla de Arosa, La Estampa, Madrid, obra dos jornalistas Lorenzo Carriba e do fotógrafo Montaña [ver PDF]. Os autores dão uma visão que vai ser uma constante ao longo do tempo e que podem ser considerados como tópicos etnográfico sobre a vida e comportamentos dos ilhéus:
- O vitimismo. Os entrevistados sempre se doem do isolamento, não apenas geográfico que sofre a Arousa, senão principalmente administrativo.
«Ni tenemos Ayuntamiento, ni hospital, ni farmacia, ni guardias, ni cura. Sin embargo, pagamos cerca de trece mil pesetas de impuestos.» - Como defesa a este isolamento administrativo, os nativos destacam a autogestão em termos de trabalho comunal, assistência social ou mesmo o mantimento da ordem ante a falha de autoridade.
«Sobre su superficie no verá usted ni un automóvil ni un pollino; por todas partes, pescado, fábricas de pescado, talleres para la construcción y reparación de embarcaciones y redes; pinos, dos peñas grandes, casas y mar. Dentro de este marco, la pobación se mueve como si se tratara de una sola y gran familia.» - Ausência de conflitos.
«Yo acabo de cumplir veinticinco años y, desde que tengo uso de razón, no recuerdo que aquí se haya cometido un solo robo o crimen. Si usted habla con un vecino de más edad le dirá a usted lo mismo. No obstante, las casas y las tiendas están siempre abiertas hasta horas avanzadas de al noche, sin un policía que vigile.»
A fotografia titulada Una pequeña arosana, é mesmo uma metáfora da imagem idealizada da Arousa. A menina inocente presenta-se ante o público que a vê pobremente vestida. O seu fato enrugado e surrado está cingido ao corpo com uma fita comprida que dá voltas a cintura até rematar num nó desordenado. A pesares da pobreza, olha para nós feliz e orgulhosa de morar na sua pequena Utopia. A estética quase ária de esta fotografia, devia aproximar-se muito ao que os leitores madrilenos esperavam dos habitantes dum lugar tão extravagante da Galiza celta. Este tipo de educação foi a típica das sociedades humanas durante milénios, acrescenta a antropóloga norte-americana. Mas para se dares é imprescindível que os câmbios sejam muito lentos, de tal jeito que o modo de vida dum bebe não seja muito diferente da dum ancião. Obviamente, o Carregán e os seus sucessores estão no limite duma transformação que definitivamente vai fazer menos audível a voz dos maiores.
Um dos aspectos dos que se fala na entrevista é a grande explosão demográfica da que o velho marinheiro foi testemunha. Tendo em conta que está a piques de cumprir os oitenta anos deveu nascer cerca de 1855. Nas suas oito décadas de vida, a Arousa passou de ter uns mil habitantes a quatro mil. Este impulso demográfico não se deu por colonização migratória, assim que só se pode explicar pelas melhoras na alimentação e no controlo das enfermidades. Nestes dois factores deveu ser muito importante o estabelecimento das fábricas de conservas que proletarizou as mulheres, pouco úteis mal alimentadas ou enfermas.
Mas são tempos de trocas, chega a luz eléctrica e o cinema. No Capitol põem El desfile del Amor (The Love Parade) de Lubitsch, com Maurice Chevalier e Jeanette MacDonald. Tendo em conta que esta película estreou-se em 1929, a Ilha só chegou com seis anos de atraso.Como colofão, na derradeira página da revista, não como feche do artigo, o velho marinheiro sai retratado junto ao jornalista, sentados e conversando nos degraus dum patamar. O Carregán semelha uniformizado para a ocasião. Aparece em todo o seu esplendor a elegância do marujo com o seu colete, o seu boné e as calças cheias de remendos. O investigador aponta no caderno de campo as respostas, também aqueles castrapismos que incrustará no seu artigo como sinal de autenticidade.
Coda:
Para os ilhéus que leais esta postagem proponho-vos uma tarefa. Quem são as pessoas que posam nas fotografias? Quem é a rapariga que olha a câmara e que quiçá ainda viva? Quem é o raparigo que salta o muro? Quem é...?
domingo, 5 de abril de 2009
nº 30 Anjos músicos.
fig.1
Eu estivera no mosteiro em diversas ocasiões mas não reparara nestes seres alados interpretando uma espécie de consort celestial, primorosamente talhados pelas mãos dum artista experto.
Volvi a Cela Nova na procura de ver in situ as figuras do Coro e teve a sorte de ficar só ante elas na imensa solidão da Igreja. Fotografei quanto quis e sobre todo, captei a magia dum lugar singular, mesmo ultrapassando a mística natural deste tipo de edifícios. Nas outras visitas ao Coro Alto, as olhadas eram sempre para o gaiteiro representado numa misericórdia, para o órgão, o facistol e os grandes vitelos com notação gregoriana. Mas neste caso o bosque impediu-me ver às árvores, e os anjelinhos passaram desapercebidos.

Fig. 3
A terceira das imagens pertence aos fundos do Rijksmuseum de Ansterdam. O grupo escultórico é obra de Adriaen van Wesel, que a fez em c. 1476 como parte dum altar da Sé de St. Jan, na cidade holandesa de Den Bosch. Novamente o modelo comum, o anjo de asas despregadas a interpretar uma música concertada no seu clavicórdio...
Segundo a datação que se maneja na actualidade, dos três exemplos aqui citados, a imagem mais antiga seria a inglesa, na primeira metade do século XV, depois viria a holandesa, c. 1476, e por último a galega, sempre apôs 1492.



